refreia a deriva
com o dobrar contínuo dos olhos.
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a mão que te estendi
e que por si só furou os céus mais fundos
até os picos dos pinheiros bravos
os cumes inteiros de um ocidente vulcânico
essa mão aguarda a fé
rebusca agora no perfume dos órgãos
nas manhãs mais sombrias onde jazem
perdidos pela estrada
os corpos esventrados dos peregrinos
essa mão que te cingiu
a volta contínua aos rins dilacerados
a sucção dos frutos feita romance
e nós dois
só nós no meio da podridão
feitos fendas inacabadas
com tremores amargurados
e esgares vítreos
(somos a iconoclastia dos lagos).
a mão que te criou
cristal cantante de aurora
foi decepada
(com três golpes inteiros cumpriu-se o rápido serviço)
e hoje quem a tem
sobre a cabeceira
vela-a em silêncios insones
criou-a e deu-lhe uma morada.
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