sábado, 14 de setembro de 2013

meus
todos os dias
meus entrançados 
caudais de púrpura tardio.
reclamo-os arenosos à margem
dos meus dedos dos meus dias das
sempre minhas eternas janelas de tarde 
sombria a levar para a rua o calafrio da 
aragem o equinócio cá dentro a espera a 
seiva manchando de tempo líquido a imagem
que eu perdi da minha infância. espero-a
balançando na minha espera de estação
agitando-a com o vigor das horas
crescentes e súbito descentes
até ao pleno mais descrente
do meu retrato postiço
eu imaginado face
cara na cara
dos outros
antes de
mim.

//

roubaram-me a miséria
roubaram-me a ideia feita
a casa e os vizinhos e um quintal
tão possível quanto o meu nome.
ardeu e depois esparso foi sobre
uma vaga de onda 
tão igual.
roubaram-me antes de ter sentido
o paladar da luz que irradia
de dentro das coisas
que se recordam.
roubaram-me a língua e o verbo
nela adormecido.
roubaram-me. OIÇAM
e o que clamo meu
é só uma lâmina de impostura.
é apenas camada límpida e pura
para esconder
o não haver.

antes de mim
antes de mim

uma tarde
um durante.
talvez eu.

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