o fio das palavras
que te enterraram na língua
permanece
para te imprimir (e)terno
o sabor da ausência.
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o caminhar de floresta
enredou-nos os passos
na distância dos milénios.
feitos pelas estações
não mais cremos no luminoso do dia sobre as sebes.
somos os mesmos e sabemo-lo.
ainda guardamos os mesmos sinais
e o corpo ainda fala através das fricções.
mas não mais guardamos
o dom da água saliente
a cadência dos trinados
e o término das orações dançantes dos ramos.
somos a vacuidade do verbo
e esse espaço côncavo
embebeu-nos os dedos
penetrou nas veias periféricas de uma sempre
esquecida inocência
apodreceu-nos os membros
e deu aos olhos
novo contorno sórdido
a fazer lembrar aos eclipses
a carne telúrica em fim de gestação
a tempestade ainda em zunido sobre os campos
o quebrar estático de uma latência mais profunda.
então
na mudez dos líquenes
atingimos a língua mais primeva.
somos rocha e contemplamos o horizonte
enrugado na nossa mão.
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