vai
e o que te prende
sucumbe.
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os laços forjaram esta cicatriz
imensa que vai desde mim
a ti num infinito gume
de horizonte.
como chegámos a ser
coisa nenhuma?
mais que o nevoeiro disperso
ao sopro dissipador da manhã
menos que a sombra estival
dos nossos segredos
uma lembrança para derreter
no fim de um verão de outra década
e enterrar antes da mortandade das folhas
e da podridão solta dos frutos.
esta secura de pensamento
este impedimento cruel por natureza
impele-me ainda
mais e mais
como se a força de uma cobardia
anulasse o gesto
a inteira e imensa culpa
a face soterrada diante dos próprios pés
uma contrição de fim
uma unção e não sei em que tempos
um vil deleite de perdão.
a margem de lá
é esse muro
idioma que os olhos não alcançam.
perdido do lado de cá
caminho com a urgência a criar teias pelas esquinas
e é na mesma velocidade da descida calada do pó
que me deito manto sobre as fachadas dos edifícios
e preencho os espaços daninhos da calçada.
espero um dia cobrir por inteiro este rio
morada desesperada de tântalo
e nele silenciar
fundo
a cor extinta
deste olhar.
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