se um dia eu pender da haste
e fruto maduro rasgar o chão
matem-me!
pisem-me
escorracem-me
firam-me da latência
do ostracismo.
quero que me expludam as veias
e germine apenas néctar de vácuo sobre os campos.
que não reste nada.
que não deixe nada.
nem herança nem herdeiros
nem a cor dos olhos nem o horror das palavras
nem o odor inculcado de suor pelos caminhos.
tudo o que pisei se aniquile e me finja
nunca existido.
esqueça-se a fala
esqueça-se a letra.
se um dia aprouver que me tragam
como osso canino saliente entre baba e boca
que me torne merda e me cuspam em sentença
"este porco que amadureceu
ingrato
afinal estava podre."
felizmente
sempre estive podre.
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