meu rumor de manhãs rarefeitas
minha cor de leito de luz trespassado
minha curva idêntica de silêncio a cada
esquina. uma nova rua sedenta dos teus
passos. um frio de espinha a crescer
no teu seio o arfar insurrecto
de estilhaço.
minha distância de permanência
carne branca em sangue que se condensa
olho revirado a perder nos sulcos
a linha que corta a fronte e o crente.
não temas mais a força de um
sol postiço sobre a rajada de um verso.
a [minha] palavra comeu do mel da podridão entreaberta
para secar de vez a saliva inane.
ainda ouço os reflexos de prata cozidos
entre os meus dentes
mas calo-os com a chacina limpa
da língua.
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