domingo, 18 de agosto de 2013

seis e meia

olha as paisagens.

são a comoção final do verão.
o seco dos olhos que já cresceram
demasiado para dentro
tão pouca lágrima para tão má sorte.
a aridez abrupta de um horizonte
faminto
enterrado fundo como um desejo
tão maior quanto menos tem
esse tal nome com odor
de anseio.
as depressões ocasionais
da ausência
dizem que aqui houve aquilo que nos habita
mas apenas em reflexo
para hoje lhes contemplarmos
negativos
sonantes chamamentos de sem sentido
de inversos
falsas impressões
ilusões de tacto.

afinal o fim do verão
é quando o vento dobra o ciclo
os ponteiros decrescem
e a boca do vazio vem beijar
mais osso que carne.
afinal é aqui o momento
e não existe palavra
porque não existe verdadeiro adeus.

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