quinta-feira, 1 de agosto de 2013

a minha luz tem silêncios de vidro
e a tarde é certa
no oblongo das árvores.

enreda-se nos teus cabelos de infância
não mais desperta
nem já tem nome de poema
o teu rosto.

perdi-te os contornos
dei-te o nome de espelho
e no fim o que resta?

o hábito de cuspir nos passeios
o luar sobre as casas
a omissão dos travesseiros
e a minha aparente calma de olhares
ante a parede muda.

sorrio e a explicação do mundo
escreve-me o número na palma da mão
o habitual e desço as escadas
cambaleantes debaixo do meu entendimento

acordo e sei quem sou
porque esqueço.


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