quarta-feira, 31 de julho de 2013

ruído branco

de que vale
esse suco na boca
velho da cor
sempre fosca
desse rio que canta
os séculos nas correntes
e tem nos olhos os outros
daqueles que o viram ser rio
antes de ter nome
e ser gente?

vale mais o contraponto cego
já sem a vibração dos vitrais
e toda a horda de cantores de infinito
a trazer fôlego de deus
ao canto mudo das flores
e dos minerais. mas nem isso
nem isso refulge já
em aurora
este tipo de movimento
em víscera profunda a sangrar
contínuo jorro desde a linha
do firmamento.

o que é este domingo
sempre presente
a estirar os dedos
e a romper do fundo dos cabelos
o sono morno e mastigado?
o que é este acordar de fundo
a tingir o quadro de negro
e a dar ao palpitar das horas
a tonalidade de um roxo cansado
a vir cada vez mais inteira
ao encontro sensual da tempora
pulsante? enche-me os olhos
e é som puro fechado em ruído atroz.

nomear o inominável
fazer verbo do pré-verbo
do anterior a um anterior
crer palavra onde habita
somente a onda pura
de um silêncio.




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