se o cão ladra
chama-lhe
uma memória
por detrás do contorno redondo
de um prédio de esquina
persiste
em caminhar
e não contes tão alto
com tão soprada voz
os passos
a vida é só um purgar
de línguas contra os dentes.
assemelham-se os rostos
nas janelas e nas montras
os reflexos tenho-os
um a um guardados
no bolso
e depois o que calo
também mente
e só a luz do fim de tarde
na casa de alguém
já sem nome
é a única palavra certa
que distingo
e que me respeita
a visão turva
a mente
porta entreaberta
a deixar fugir eterno
o ternário allegro da eroica
prima sinfonia
antes do antes
de todos os tempos.
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