segunda-feira, 8 de julho de 2013

introduzione alle quattro stagioni

a sonata é instituição
e eu larguei-a no esgoto.

estendo os braços para diante
e escondo a cara
colando à mesa este grito
tão decerto horrível
mas eu nem o oiço
mas nem eu o sinto

e cuspo às janelas
aos pés dos outros
faço pontaria à menina dos olhos
e rebolo na merda aquecida
para mim ventre exausto
da expulsão
sou o corno e o cotovelo
o extremo oposto e a curva cáustica
sem medo sem medo
germe encolhido na multidão
a pregar os próprios cravos
no pulso
para ser mais de acordo com a moda e a estação.

eu amo o nojo
eu sou o nojo
e faço dele
a cópula perfeita
para desgustação.

e se apetece chorar
e beber sôfrego estas lágrimas de mijo
é só porque no fundo não me arrependo
desta carne matizada de gangrenas
apenas do céu onde parida
ela foi deixada ao sol
para ser cozinhada pelo sal dos passos
temperada pelos dejectos dos pássaros
e por fim
sumariamente
imediatamente
sem escrúpulo nem espectáculo
comida
pelos beijos e abraços
da matéria fecal da vida.

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