perdi-lhe o rasto.
entrou pelo cais das colunas adentro
nem deu espaço à mesquinhez das gaivotas
vestiu-se de rio
seguiu os seus passos.
terei reparado em súbita mancha
no reflexo das janelas à rua dos douradores.
corri atrás e cansei-me
até lá ao fundo enquanto
caia um céu de nuvens mais contrariadas.
um aperto de nojo dormente nos olhos.
ainda em obras
mas já se lhes viam as serpentes aos pés
equestres de uma tarde de quinta
a passar tempo para os augúrios
de sexta.
o suor não provou
quanto tempo passara
entre um passo e outro.
creio que me fixara num conto
a meio do livro. não lhe entendo já o título.
abandonado
branco a criar chão com pó
de terreiro
perdeu a marca e a dobra na página.
talvez também o sublinhado
e quem sabe a memória do tacto.
rasgou-se um pedaço à garganta
que canta mar
e já só cruzado
entre o resto que falta ao tempo
desalinhado assimilei:
perdi-lhe o rasto.
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