[explora esse vazio
e torna-o teu.]
as águas já sobem pelos ombros
e o místico prazer do afundar
a revelar-se tão certo.
abro os olhos
e o fundo do oceano tem as cores
deste tecto de chão.
é de braços a enterrar
envergaduras mais densas
que o término vem.
sopra o seu caiado branco
para invocar à boca os dentes
contra um último sol
o baptismo de nariz tapado
e nuca dormente.
visceral este apego inteiro
ao tacto aquoso
do esquecimento.
juro por minha vida
que o retrato de ofélia
dança nos olhos
daquele ainda triste rio
porém já tão seco.
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