o que eu te der
desfá-lo em madrugada
as mãos vazias
a chamarem-se a si mesmas
veio cego fundo
poço negro corrido
até ao outro lado do mundo
a procissão com banda a ré
senhor dos passos
dos golpes lambidos pelo vinho
o sentido cai sozinho
o sentido ajoelha primário
atira-me à cara o meu fim
este véu de santo sudário
sujo da contemplação
com que me queimo.
o canto nu és tu
meu crer de relicário
o meu sentido é o azul
entre os pés recortados
contra o chão do outro lado.
//
e tudo isto finda
são as tuas mãos de novo
a esvoaçarem na manhã como
o reflexo perturbado sempiterno
a sorte negra das palpitações resilientes
esses tremores fugazes dos pequenos lagos.
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