sábado, 13 de julho de 2013

tremores dos pequenos lagos I

o que eu te der
desfá-lo em madrugada

as mãos vazias
a chamarem-se a si mesmas

veio cego fundo
poço negro corrido

até ao outro lado do mundo
a procissão com banda a ré

senhor dos passos
dos golpes lambidos pelo vinho

o sentido cai sozinho
o sentido ajoelha primário

atira-me à cara o meu fim
este véu de santo sudário

sujo da contemplação
com que me queimo.

o canto nu és tu
meu crer de relicário

o meu sentido é o azul
entre os pés recortados
contra o chão do outro lado.

//

e tudo isto finda
são as tuas mãos de novo

a esvoaçarem na manhã como
o reflexo perturbado sempiterno

a sorte negra das palpitações resilientes
esses tremores fugazes dos pequenos lagos.



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