uma mão desembaraça-se da outra
crio em mim o próprio cume
e rasgo-o ao incidir nele
o traço descontínuo da noite
um rio verte noutro
e num halo quente
creio-me ressuscitado
a terra abriu um parêntesis
uma língua entala a outra
e este fluir vermelho
dos nossos olhos de encontro
à boca. como lhe chamam?
um velho morre sobre um outro
como se passeasse em domingos perdidos
da outra estação. a praça vazia
com ponto de fuga cego
cai e mente
abate o mármore das lajes
no poema
e eu bebo-o
arranco-lhe os dedos de uma mão
corto-o com a métrica
a silábica gente que me promete
o vale em água permanente
não me conhece
eu também não.
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