um profundo zumbido nos ouvidos
na hora mais densa do silêncio
não serve.
não paga dívidas
não seca lágrimas
não regurgita à boca o coração.
de braços abertos
apenas cala o tecto manso em paisagens de luz
no fugaz lugar de estacionamento
onde as quatro rodas acertadas
da motriz vontade nossa
de vento
não mais revelam
as horas que são
e a cor dos olhos descerrados
frente a nós do outro lado
tão já abertos como os braços
para dar um nó menos lasso
ao corpo quente
embrulhado dentro de si mesmo
nas camadas finas
do súbito pulsar de cor de um momento.
se tudo o que digo
faz sinal subterfúgio
signo ilegal do que penso
porquê mentir?
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