olho a mulher do outro lado da lua
repito:
do outro lado da estrada
e
estamos nus ou eu vejo-lhe
a nudez num olho
e um véu
não em silêncio não
lhe é mais do que a pele
e o que faz a pele ser
esse véu preso na cabeça
enrolado num brilho de pranto
gotejante pelas ameias do enorme
horizonte do seu peito
e o que faz o seu sorriso já
então a semelhança inteira do febril
numa mão lacrada a unhas de sangue
como se lhe visse
o fundo do ódio
volta-se
num súbito
és tu és tu
quem não voltaria
para os teus braços
do outro lado do espaço.
aceno talvez
ou
já sei esqueço-me
e escondo a cara no meu peito
e
quem é a mulher do outro lado do espelho
já o véu cai
suspeito
e a pele retira-se para adormecer
modo eterno
como seria dizermos devagar
rente aos ossos
um enroscar de pestanas
pulsantes nos dedos nos lábios nos perfeitos
contornos da cadência a dois
lados de crime.
olho a mulher do outro lado do rio
minto:
do outro lado da cama
reforço:
do outro lado dos cheiros estagnados dos meus bosques de bolonha
ou
tudo clama minha mão-vontade
que lhe aperte um grito
e depois se desfaça
do outro lado dos jardins
a perseguição do véu desnudo
pois um riso estremece
nas fendas do paraíso.
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