voz de rio chão
sereno plástico de lama
e canto-guincho de alvorada
sobre o restolho final.
é uma espuma inversa
das horas e a minha boca
nelas só para as insuflar
do coalho pastoso
emaranhado ao comprido
dos cabelos sem velo de Jasão.
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ora seguimos ao longo das imagens
e esse muro de tarde
é o rosto das laranjas e o nosso
outro meio em queda de si. já passámos
os pomares e agora venha no enjoo
um aperto de intestino meigo
a reclamar que o abracem
silencioso já nem estremece
agora só quer ter consigo o dia inteiro
e o dourado seco dos outonos
como ramagem sólida ao longo
das sombras desses outros olhos
aqui logo já nessa frente de joelho contra joelho.
a catástrofe é um lábio que treme.
e no seu centro uma denúncia de outro canto
um bater de portas com mão de vento
e o murmúrio salgado de uma elegia.
a catástrofe é uma mão que sua
e desliza bem para dentro
até pernoitar num qualquer fundo
esburacado de casaco e só escorrer
quando for tempo de acenar
um adeus filho que vais
para a terra. e o teu nome
tão vincado debaixo do olho
essa mancha que se te alastra
essa mancha é a tua guerra.
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