brindemos às fronteiras:
eu delineei as minhas com um riso tresloucado
engolido durante décadas para que um dia
soltasse na sua queda um paraíso inteiro
que se chamasse
tarde de sexta-feira.
é quando as gaivotas voam
rente às cabeças das mentiras
desflorando as rosas como
vinho ímpio para o sacrifício.
morrem por nós as flores
e uma manhã múltipla
escoa-se pela sarjeta
sem fé.
olhamos e dizemos que belo e triste
o sentir das coisas
e eu só lhes distingo o mesmo sincero grito.
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