sábado, 26 de outubro de 2013

era bom

era bom
chegar ao outro lado de uma outra
(esta esta)
sujidade ossificada
por de mais entranhada nos passos que 
- até isto até aqui -
só soube calcar contra
uns versos esparsos de chão
irregulares na forma e 
no respeito à matéria útil e expectável e qualificável do
Cidadão Respeitado
e um pózinho quase só brilho
também de Admirável e Amigo
(e já agora que sabe sorrir quando lhe pedem)
tudo unido a um só nó de corda e saliva 
limipinha e desinfectada
desses 
dias de merda 
(todos os temos mas não nem todos).

tocar o
lado nenhum
e ser tocado de volta.

um fio de outro fio que se torce.
as minhas mãos nessa força torta
e essa força a pingar nas lajes 
sem tapetes a descoberto um nu
de pedra fria.
abro um pedaço de carne mais roxa
para dar mais tempo ao que a consome.
desfaço o novelo dos cabelos presos
pelos olhos dos mortos engolidos
nos gritos que saltam 
paralelos às pontes.

a surpresa
não passa de uma ameaça.
deram-lhe um rio como jangada
mas quedou-se prostituiu-se e agora
só dá o braço ao Além-Tédio 
que lhe paga as contas e ajuda no que pode.
mas sobretudo eu
não posso ter mais pernas que estas
nem voz que ganhe essoutra doença

e

o que penso
- que é isso -
quer vir direito aos aneurismas
derrubar as comportas e deambular
com o outro a quem lhe chamam
fluxo
vem-me à carteira e sai por dois meses
sem dizer ais que a dor é para quem
nasce velho.
ainda se lhe aceno na despedida
cospe e larga logo
dois ou três nomes
mas nunca lhe perguntei quem era.
por isso fixo o pêndulo das salas
até que nasça um relógio mais lento
e lhe apanhe o jeito
o gosto vem depois.

dizem que o mundo bateu na parede
mas ninguém consegue dizer
qual a face que bateu no espelho.


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