para cantar
eu todo completo enérgico numérico
a desonra.
a minha história
é o sem história do momento.
e hoje a liberdade diz-me nada:
sufoquei o estilo a agulhas
entre os dedos.
e para caminhar
fecho antes a porta a um perfeito vizinho
e sacudo o tempo de chuva
quero eu crer que não
e mergulho a fundo nas travessas.
vou até onde me encontrem
já estirado entre a repulsa dos dois braços
e onde o desencaixe do meu rosto nunca sirva de lição.
enlameado pela crueza do cuspo
vou até onde me pisem
para depois chegar ao destino
inteiro vivo
no núcleo de uma corda de umbigos
a correrem como festa
as varandas opostas dos edifícios.
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