ao comprido das vistas
restam os ossos debulhados pelo cão
e uma flor maligna
de jaspe
a crescer podre
no inverno radicular das palavras.
olham-te as trepidações
soltas numa vaga desenfreada
e cresce-lhes o murmúrio
do indizível.
sabe-lhes à errância do ferro
o contraste nítido
das bocas.
queria falar
e deixei vir de dentro
um inferno em pontas de dedos.
já era hora sempre
foi
e agora mais que nunca
mas
tremo.
soltou-se
no coser pontilhado das tripas
a cadeia morna dos meus instintos.
e só os horizontes pulsam
e só eles falam
nos seus gestos
de metamorfose ridícula
quase
sagrada.
tudo o que diz
o rodar ancestral da manivela
é o organum triplum
fremente no rasar das aurículas.
debaixo das vozes hirtas
soa a insónia matinal
e o meu deus do azul da carne.
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