ainda vamos ver
o pulsar leguminoso da vida
crescer em nós o tentáculo aéreo
espécie de flor numa árvore de chacina.
uma membrana de tempo
no lugar da boca
o sorriso de uns cabelos estranhos
levitados augustos etéreos incinerados
numa obliquidade de sol às quatro em ponto.
ainda vamos ver
a exorbitância do que não cresce
o que não dissolve nem promete
mais que um encosto à alma descaroçada.
isso a sermos nós uma vida inteira
de quarentas e muitos
depois ainda teremos isso de volta
mas saberemos encaixar-lhes o corpo
perceber-lhes o eco sentir-lhes o calor
nos dedos. e não reparar nisso.
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