sexta-feira, 16 de maio de 2014

eritreu deslocado
raça do miúdo
sempre perna à banda nos
queixos dos aviões
rasam a calva das
cuecas quando roçam pelas bicicletas
idiota! tu que ruges
perfumes diante dos vestidos
senhora a cara face à vela
límpida vejo-lhe já arfar o seio
queima queima ai não! a mão
raios te partam
ganiste um potro
truncaste a mulher
violaste a árvore com um grito
golo! que se foda
já era tempo nunca mais ai! não nunca
que dizes que escreves
só passado amor
tudo muge tudo tuge
pega-lhe no membro e ri
está murcho hahaha hihihi
não
a tua alma é que se finou ao toque certo
arrefinfa nos urinóis
dá-lhe de gatas e aos três
upa lá pra cima lá pra dentro
não porra aí não
ó que se lixe
também me benzi de creolina diz que não
dá mais sangue à guelra
ah se tu visses o que eu vi
um beijo numa pedra
puta! puta! três vezes puta!
tudo o que mexe sabe-te a pouco
entre as varizes. não com sal não
já tenho dilemas que me bastem
e dentro de pouco tempo hei-de me vir
abre a cara abre a cara
algum coração dentro? alô?
preciso de mais vinho. mas este mês não deixa
ainda vai a meio carril até aqui só
uma gotícula de desespero todas as manhãs
acordo de boca fendida
um grito nos joelhos queima
onde ninguém oiça aqui não aqui não
tenho vergonha tenho
aquele acrescento do homem moderno término de casta
um sítio agreste de flor inabitada
onde devia morar
o fim das nossas mãos.
sicut erat in principio nunc et semper
porra queime-se o poema
dobrado bem espetado
na boca de um filho.
anda cá rapaz
cuspo-te nas mãos
ora toma a prece. vá fina-te.

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