pois sim:
de quanto precisas para
inaugurares a rua
ignorares a dieta
pores-te assim nua
cuspires na sarjeta
da filarmónica da bandinha da sinfonietta
do diabo a rês a quatro
de quatro antes que te ponha os pés
no destino amor no destino
mas dize-me serpente
de quanto precisas para
bater na retirada
ir ao fotógrafo em cabelos
tirar os ratos dos cotovelos
giolhos princesa nem sempre são só joelhos
e a alma também quer fé
café? à entrada recolhida o assombro
porra língua queimada. nem penses
nem lhe toques nem lhe sofras nem lhe
mas que porra de vez que juro que
nunca mais nunca prometo que mais
assim como tal deixo de ser a tua
garganta em gaguez carburada pelas tardes fora
solavancos como beijos razão toda nula
a tarde palpita no espaço quebrado dos teus olhos
já te disse a harmonia dos joelhos
mas crês que não nem sempre são só
lágrimas. pernas. coxeio de loucos.
sinto que me perco. do outro lado baço só
o teu pescoço. que é que eu perdi?
deixado inútil sem berço na travessa dos penedos
eles eu sós contra os ventos rua abaixo rua
acima. sinto que me perco. já me perdi
acima do mar onde respira a noite mais nítida
deixei os meus dentes. perdoa-me se cuspo.
só quero a paz universal entre os agrafos
estender-me na beleza dos semáforos
corroer-me com a sinfonia do comboio suburbano
entupido de cinco e meia. tantos que eu passei
testa com testa a ouvir contar os rastos
dos chapéus cheios de chuva escriturária.
sinto que me perco e o discurso é gigante.
ante ele eu na miríade de dedos na cara trémulos
e sem qualquer droga ou laxante te digo
esta língua nem ferve. o abdómen sim doutor
a língua nunca nunca ingiro de tudo mas nunca
e se me queixo é só pelo zunido nos ouvidos
santo zunido que me acorda e me faz escrever enormidades
nomes devassos às santinhas apontamentos para jogar
à bola com a baliza dos nichos e eu nem sou disso
sou mais de sábados tristes e zangados comichão na cara
e uma vontade louca de morrer ou sair. melhor morrer e sair
ao mesmo tempo. talvez isso sim cure esta apneia.
sinto que me perco onde ia ah
um futuro ejaculado à pressa
já nada se faz devagar e solto. o meu tempo também não
aprecia solenidades irmãos beijinhos abraços saudades
é tudo por tudo. um nota crente de contrabaixo e basta
tenho pão para três
mais dias que se sigam
ao longe. ele vem bem perto
que se há-de fazer? temo não acabar
as voltas que ainda hei-de dar pela cidade. estou
ausente não esta boca já falou antes
e
creiamos na ressurreição das palavras.
e que no fundo não há devir
amén.
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