quinta-feira, 22 de maio de 2014

só para mim
dizem:
cheiras mal
sinal de pobreza
tosses como os fúteis
queimas os cabelos que te restam
às bocas dos metros feitas sereias serigráficas
cospes no teu prato vazio arrotas assim que te acalmas
expurgas o ateísmo através do pus dos dedos ensebados
cara imunda gato possuído pelas febres ritual assassino de uma
noite de discoteca que dá sempre para o torto cabeça em passos
de paralelos ah a formidável aspereza do poema interminável a vida
não é literatura. já o sabíamos mesmo antes de vermos a cara prostituída
dos fins dos nossos meses baterem à porta sem motivo. sempre a tivemos
escancarada para a possibilidade dos mendigos. digo nós. digo antes que eles
digam nós que somos um nós dentro da negação da mão contrangida apertada
junto à víscera perfeita. entre-meio de nádegas de entre-tudo em futuro póstumo
às arribas das tuas pernas a começarem em mim a acabarem no bem depressa que isto
foi. não há solução para a sorte. caiu-nos a falta de verbo em cima. palavras escassas para
aquela sim aquela pressão junto à língua mas que vem antes sobe em formigueiro força a água
das veias expele os pulmões para dentro da cova dos braços que não temos a puxar como quem
fere aos arrancos o últimos dos nossos cordões. o tal que nos liga à terra e tritura o pescoço a sobejar de vontade. aquela de ter mais espaço para acabar esta letra. o poema que se foda. tenho sede. falta ainda dizer tudo. afinal não. só falta nada.

Sem comentários:

Enviar um comentário