a embriaguez da propulsão do verbo
vai
é a língua como êmbolo
na parede asfixiada
pressionada como a corda
se retesa na lúbrica
incorrecção do emparedado
a tua alma sangue saliva de calças
descidas pelos joelhos na irmandade atroz
nua da escolha. juras um
parto sublime lúcido aéreo
às gramáticas invioladas
mas só o corte nos teus olhos
de viés raios que tu na obliquidade sempre
te mentes revela carne por dentro
do prometido pachorrento néctar
do silêncio. ó puta parideira de som e ideias
vaga salgada a encher-me a boca da espuma inicial
que te morras que te ofendas que te
porras agarro-me ao pescoço todo vosso nosso
a ver se isto entope de vez. falemos das paisagens
e elas talvez se calem e elas talvez se falem
entre elas não entre nós não
[dor de cabeça forte-brufen-repetição].
a memória de um lapso
apaga o teu véu. bendita
speciosa mater et pulchra
rebentaste para nos dar o pranto
toda nem-só-pontos nem sóagulhas
a perna na direcção astrológica de um orgasmo
porque sim porque sim porque sim
quem grita é o caranaval lá fora
lá nos nossos ouvidos de fora. apre
respirar cansa custa a dança ai a bela e doce
ejaculada lágrima da loucura. tanto nos custou
talvez uma civilização inteira para tudo isto agora degenerar
sim sim sim
degenere e que se cace a pulhice
não somos nós fé para ninguém.
ai que sucinto e escorreito
verso chega mais tarde que os outros.
morro atrás de um aneurisma. essa metáfora perfeita.
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