como quem diz
abria
como quem diz
esfolava
como quem diz
matava
como quem ama sente
túrgida lágrima na fronte do ventre
ah que bem me sabem os érres na boca
ah que bem que morremos nesta geração
descontinuados
como quem diz
amados
como quem diz
explodidos para dentro
não se manchem as cortinas o divã
a louca paralisia da boca das horas
a oca astúcia de te haver pranto
e agora? amo amo amo
lamechas
amo amo amo
ameixas
pela minha cara boca aberta ao sol genital
só sôfrego de medo sou o puto
o karma inacessível a alma aberta
arroxeada assada esventrada
nem digo o que sinto
nem olho o que leio
rápido fulge olho dedo no teu tecto
de verbo apalavrado com os antes
a musa com o rendimento de inserção
não fala não é aquilo o não sei quê
social que me permite cuspir na cara
dos reflexos das árvores dos copos
do teu almoço de canto sibilino
do vento que passa lá fora é dia
de casamento e lembro-me da minha
dor de pele de peito fascínio em virilhas
pouco alento vontade de leito ah que recobro
e só o vinho dá aso à solidez dos corpos
eu tu dói por acaso dói por acaso
não fascina não equilibra não dá jacto
não me vem o vómito não nem vem
o ócio não vem a peste às três da manhã
acordo! ai chiça que morro
não não tu ficas
hás-de ser o último cavalo
o último a vir em último
porque sim a vida também é madrasta
em quem mama nela não te agoires
passa o ferro o pente pela cara
a carícia pelo tornozelo somos
demasiadas horas juntas
já tivemos demasiados
escaldos de água quente nas costas
vontade de escorregar parir as moscas
ah amor lanço-te o que me resta
torpe fascínio por ti madrugada
a hora mais estiolada entre as costelas
uma raiz de quero-mais-fundo espetada
até aos meus olhos naquelas janelas
de frente de trás ao comprido do bairro inteiro
meu amor assaz hora te prego
os membros na roda da fortuna escolho o
puta-que-pariu-a-sorte esse sai
sempre de mim este líquido insonso
ando roto dizem os vizinhos
ando chocho e nem como assim tão pouco.
sou reles e porquê?
para te abraçar de noite e que não me sintas
ora a afronta a ginecologia em hora de ponta
a babugem minha idiotia de monstro
a descansar nos teus cabelos.
vai-te imundo
sim que eu sou dos que se esfregam
vai-te e lambe-me
a poiesis
o sentido inabitável do tempo que se assiste
à hora solitária do encontro com o sexo
o mesmo
aquele nosso aquele já esconso
aquele baloiçante sentido para a existência
permanecer frio irar a reticência.
eu caí e alguém me viu alguém me ajudou?
todos uns velhacos mas respeito
aqui jaz olho vitríolo camões abaixo
onde não vivo onde não sinto nada
nem os dentes no cachaço ah
sobreveio a dor te ver um carro às cegas
fascina-me o mar estar bem longe a acidez das ideias
já escrevi demais
para quem tem a dentição do desespero
a hemorróida do desalento
uma vida inteira a sorver os miradouros
com o inferno no cu. ninguém merece
este desinteresse pela arte. vai de mim queima
treslê tresluz de parte a parte
e eu que me foda. ah acabe esta merda de poema
e o blog que se ponha na chacina
obre-se o medo a conduta malsã o degredo
da minha parte vou solfejando como quem lê na clave de dó
dói dói aqui fica dói e ninguém sabe o que custa
doer ao estado hoje em dia. adeus
a política ofende e arrota. não queremos disso aqui
entre as pernas.
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