sábado, 3 de novembro de 2012
Caminhar Permanente III
Lava-te da podridão diária.
O rosto que tens
é o que te consome.
A máscara dos medos
colada à razão profana.
Emana da alma o indizível,
faz-te gente diante de um espelho.
Canta louvores de boca cerrada
às tensões telúricas da irracionalidade.
Morde os lábios
e o corpo inteiro de seguida.
Quem és tu?, finges...
as coisas todas que te pisaram,
que te acabaram,
que te excisaram
dos pedaços pristinos
do teu deus.
Quem és tu?, mentes...
diante da hora vaga
é sempre madrugada e não é,
a insónia tem raios de sol nos cabelos
e dançam os dedos no aperto
assassino do sufoco.
Quem és tu?, mataste-te cedo...
as badaladas ainda eram poucas,
o sinal dos tempos era a linha
horizontal
do desconhecido.
O mundo ainda era mundo
e as coisas estavam fixas
na tua mão.
Creste no divino prematuro
que te inflamava as veias.
Sucumbiste ao vácuo
da sensação.
Deste-te como cordeiro.
O altar ruiu.
A negligente e execrável órbita
dos corpos;
olhou e
prosseguiu.
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