Esse amuleto
que trazes no peito.
Cavado nos interstícios
das tuas crenças.
Essa fonte de inconformismo
e resignação.
Solene paradoxo
do ser pensante.
Algum dia o ponderaste
desirmanar de ti?
Atirá-lo a um esgoto
sequioso de ideologia?
Algum dia te despiste
de ti mesmo?
Algum dia te esqueceste
de ser a face reconhecível
do teu eu?
Penso que não.
Incrustado na pele,
latejando pelas horas
vivas do tempo,
permanece o teu amuleto
regurgitante de emoções vastas,
de diárias contemplações
idílicas da verdade universal.
Ele dá-te as respostas
e tu dás-lhe a carne viva.
Simbiose perfeita
entre o profeta e o seu cajado.
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