sábado, 17 de novembro de 2012

Esse amuleto

Esse amuleto
que trazes no peito.
Cavado nos interstícios
das tuas crenças.

Essa fonte de inconformismo
e resignação.
Solene paradoxo
do ser pensante.

Algum dia o ponderaste
desirmanar de ti?
Atirá-lo a um esgoto
sequioso de ideologia?

Algum dia te despiste
de ti mesmo?
Algum dia te esqueceste
de ser a face reconhecível
do teu eu?

Penso que não.
Incrustado na pele,
latejando pelas horas
vivas do tempo,

permanece o teu amuleto
regurgitante de emoções vastas,
de diárias contemplações
idílicas da verdade universal.

Ele dá-te as respostas
e tu dás-lhe a carne viva.
Simbiose perfeita
entre o profeta e o seu cajado.


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