Alguém corre lá em baixo,
na urgência desconhecida
da salvação.
Sim, o medo latente
da perda. Sim,
o enxofre visceral
dos terrores interiores.
Sim, fugir disso,
como se foge da própria pele.
Das paranóias redundantes
de um medo latente.
Fugir de nós,
de encontro ao outro,
inocente, desfasado, anónimo
transeunte incompleto.
Não hesitar, não bastar
o tempo que falta. Não
bastar o corpo a decair.
Ir de encontro ao abismo
ante o desígnio forçado
dos deuses.
Cumprir o desafio da existência
levado pelo próprio pé
na sua própria atribulação.
É isso que quem corre
busca.
Afinal não,
corre apenas para apanhar,
com um óbvio desespero,
um óbvio autocarro.
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