sábado, 3 de novembro de 2012

Da transcendência


O espírito que se sopra.

O dia era outro, e a dança
cadente,
era a tua.
Em roda, uma rua turva.
Casas soltas do chão. Dançante
nevoeiro de lágrimas e riso.

Uma hora não são horas,
um tempo dentro de todo o tempo,
não é nada. É vento
bafejado na nossa cara, nos teus aromas
cabelos que voam.
Vamos, vá, o tempo é agora!
Rimos sem pudor
porque desconhecemos
a vergonha humana.
Todo o orgulho, toda a fome de ser
nutrida em nós.

Uma música, não sei de onde
proveniente.
Dos passos, talvez.
Ritmos marcados na
frontes animadas.
O suor despejado na harmonia húmida
do toque furtivo.
Ritmado temporal nas nossas mentes.
O céu desaba e dançamos
sem sentir medo. Nunca.

...

O espírito bafejado
toldou-nos os olhos. Vermelhos,
reviram-se em elipses viciadas.
Trincámos o fruto e a memória cedeu-nos
o espaço da libertação.
Uma e outra vez caímos em rituais
efémeros. O sempre que se parte
em novelos desgarrados de carne.
O meu centro a afastar-se
do teu eixo primário.
As voltas dando voltas em si.
A náusea, o pudor, o medo
numa derradeira espiral
inesperada.

...

Horror de nós mesmos,
descobertos finitos.

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