sábado, 3 de novembro de 2012
Num cerco fechado
Esparsos comentários
dilatados no silêncio incauto
do tempo noctívago.
Falar do quotidiano,
embrenhado nele
é magistralmente absurdo.
Começar o dialógo
só; o martírio de uma
resposta limpa, escorreita
Que se espera, que não vem,
que nem se vislumbra nos sussurros
bocejados do vento.
Cortinas dançantes
da nossa ansiedade perene;
E tudo bem?
Tudo... normal?
O dia é derradeiro,
sabias? É...
Mais um dia. Sim.
Outro, a seguir a uma noite
de contemplações insómnicas
Aos passos do vizinho de cima,
o seu som. Guardamos todos
a essência de uma verdade partilhada.
O cordão que nos prende à terra
é um só. Cortámos da vida os laços
sombrios dos outros.
Ganhámos o nome, os bens e a atitude
de nós mesmos. E fomos quem?
Sempre nós dentro de nós.
Outros que não nós, também nós
sem o sabermos.
Ego sobrenatural estendido
a mil milhares de milhões
de cabeças, espiraladas
em raciocínios voláteis.
Como a existência é isto tudo.
A imagem vã,
a distorção da realidade pristina,
a sensação de se ser mundo inteiro e completo
num cerco fechado.
Ser-se isso e gente humana.
Ser-se o pensamento, a carne que o guarda,
ser-se a magia profana da alma,
ser-se isso e ser nada.
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