sábado, 8 de junho de 2013

8-VI

ridículo
inverter a rotação dos pés
multiplicá-la pelo crescente das mãos
acabando por adormecer
enforcado ao fundo da cama.

tanta posse
de luz matinal
para descerrar abertos dentes
à maré tão vaga das terças-feiras.
um anonimato cantante
vem embelezar
os pitorescos cantos trincados
a tempo de espelho.

mas
adormecido
saio mais cedo do que o habitual
ou puxo dos óculos de ver bem no escuro
para atravessar as dores de pés
com mais hábito
de sopro jovem.
penso no quanto terei que andar
e desisto

que se foda o pensamento.
venha a conversa entretida à esquina
atirar os bons-dias
já sem esmalte.
resta o róseo dos mármores
a eclodir nas nuvens as gengivas
e uma mão aberta de chuva tardia
a pedir ainda esmola.
não se trabalha
e já é meio-dia.

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