domingo, 2 de junho de 2013

perda de uma estação

olham-me as estradas
já sem pressentimento de pés
nus a desenhar
pedras na saliência
irregular da perda
de uma estação.

foste-te
com o sol
como as pessoas que recolhem
assim chega a hora
mais horizontal do porvir.
levaste os teus olhos num bolso
interior
para eu não lhes notar o peso
diário
frente às lojas tão espaçadas
até já vazias.

o meu sentido dormente
de raiz
já não fura até aos lagos mais fundos.
fica-te pelo ruçado dos tapetes de casa
tão macios que óbvios não se lhes pede
mais silêncio
que um leve jeito de estar
rendidos à tua espera.

eu prosseguirei
histórias deixadas a meio
e desta vez terei fósforos que bastem
suspensos na carteira.

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