de voz
a essa mudez profunda
da pedra suja.
não mais cantarei
as passagens límpidas de Bach.
hoje nova arquitectura de sons
novo pulsar de fumo.
reverberação dos cristais
a incidir nos espaços foscos
desta floresta-carne
que tanto chora espinhos
a crepitar à constância das horas certas.
arranquei da razão a corda
sensível como flor dormente
escondido no ventre deste muro
o meu querer calcário brota o rochedo
corpos celestes em movimento
e a sua sinfonia acrítica
a espaçar os compassos mais solenes
deste olhar de árvore
sem nervo-sangue
tudo o que respiro
cai e é estanque.
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