sábado, 15 de junho de 2013

vox

dei-lhe o nome
de voz
a essa mudez profunda
da pedra suja.

não mais cantarei
as passagens límpidas de Bach.

hoje nova arquitectura de sons
novo pulsar de fumo.

reverberação dos cristais
a incidir nos espaços foscos
desta floresta-carne
que tanto chora espinhos
a crepitar à constância das horas certas.

arranquei da razão a corda
sensível como flor dormente

escondido no ventre deste muro
o meu querer calcário brota o rochedo

corpos celestes em movimento
e a sua sinfonia acrítica 
a espaçar os compassos mais solenes
deste olhar de árvore 

sem nervo-sangue
tudo o que respiro

cai e é estanque.

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