não te escondas
e vem beijar a mão ao pai
que bateu na mãe
que gritou com a avó
que fugiu do avó
que cuspiu no genro
que fez três filhas a uma lavadeira
que as pariu e morreu à terceira
que trouxe flores no regaço
que se desfez e se rompeu no laço
que ficou triste pendurado nas silvas
que esperam no silêncio o roubo das amoras
que sujam os lábios e nos deixam a perder horas
que nos contemplam quando as contemplamos
de volta
chega-te aqui e não te escondas
vem beijar a mão e os anéis
cumprir a lenga-lenga de cabra-cega acostumada
a ter na gaveta por detrás dos lençóis
o brilho branco e fosco de espada.
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