e depois
se o sopro te apagar a norma
de um peso mudo
horizontal na sua razão
de te pesar mais forte
um querer de desafinação?
podia ser que amasses mais
dessa massa de terra e raízes
a jorrar o olho incerto do mundo
e depois te amasses mais a ti
mesmo sabendo que no fundo
reside o pavilhão já diluído
já evitado
a tua própria cathedral engloutie.
e se digo tu
é porque o espelho tem face
e ela somente responde
com outra carne
os mesmos olhos e jeito de boca
para disseminar o ódio sobre os lenços
postos à lapela
marca
que sai à rua e traz laranjas secas
para dizer que é hoje
que acaba a tal novela
mas a cruz de um pé mais alto que o outro
é ainda assim o que lhe queima a língua
de dentro
bifurcada.
aí não se chega
talvez não convenha
o sopro
quente vento de espanha
ou então oblívio portátil de mercearia
chego-lhe a mão que não prende
e é isso
o meu auto-retrato sem orelha
e é isto
senhores
o jeito seco de sentar nos passeios
e de motivar ao crescimento mais olheiras
por intermédio
do mascar de olhos compassados
a tricotarem formas
com nome de horas.
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