domingo, 30 de junho de 2013

spleen de agosto

o martelar dos dias contemporâneos
trouxe uma borracha sobre a chuva.
não houve quem resgatasse
lábios finos ternos a crescer madrugadas
mais frias mais frescas para lembrar
que o azul das tardes nas fachadas
é da cor do olhar de quem
no aperto de um horizonte
crê estar já morto como só.
o vento traz agora
esse aroma doce de podridão
e as mãos deslocam-se para dentro
descansam na base do coração.

hoje o clima altera
a dança das tílias e dos seus sonhos aéreos
de avós.
resta-me o olhar sem espelhos de casas
a trazer de volta
o eco que cai descolado da tinta fosca.
quem te cravou o anzol em tão doces olhos
e te trouxe à tona
o respirar?

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