Forças ominosas que trazem à boca
leves eflúvios de refluxo gástrico.
Mais do que isso
a sede de vómito
é a cicuta
ou a procura de um beijo permanente
colado aos lábios por força da associação de ideias
que só se unem sindicalmente por alturas
de acalmia sazonal dos ventos.
Mas não entremos nisso
porque em demasia estão escritos
os desígnios da vontade alheia como todo
socialmente díspar da titubeante
cona de uma freira em noite de s. joão
sobre a fogueira a quem há muito saltou
a tampa da paciência
não dirigindo mais palavras à agiotagem
com máscara de Pálas Atena
retirada do quadro de Poe a quem faltou
o corvo celeste. Esse já voou.
Nunca tive essa mão cheia de pundonor.
Nunca tive regatos de varandas com flores
nem disse Lisboa com os pés voltados para trás
retirado eu assim em joelhos para me benzer
ao clima meridional que tanto me atraiçoa
com carícias de suão e suores de sevícias.
Nunca tive essa razão em mim
por isso nunca a perdi.
As amizades que faço estão ao nível
das águas que só transbordam quando o esgoto afunda
plácido mais merda neste rio.
O rigor da emoção não lhe acho os traços
e se pudesse pintava a vida e mijava-lhe em cima
para lhe dar o aroma realista dos becos
covas de amor à terra que tanto me prendem
em enleios sós comigo
assim fortes
os pensamentos.
Se hoje chegar cedo a casa
(não chegarei certamente)
ainda terei tempo de escrever a minha elegia
mais sábia e completa do que as das figuras dos santinhos
com verso em reza profana
que alguém sem dentes negligenciou
no meu banco de autocarro.
Eu negligencio-me continuamente
mas nunca conseguirei virar a cara às lágrimas carentes
de nossa senhora das mãos atadas e da boca
amordaçada por tão brancos dentes.
E depois se escrever o meu altar de glória
ainda terei tempo para afogar o ganso
ou fazer chorar o palhaço
satisfatoriamente
não sumariamente
mas enfim eficazmente
para tornar mais óbvio o expulsar
contra a mão da baba-ranho deste tema
de merda que é falar na primeira pessoa
como se isso importasse tanto
como os paralelos dos passeios
que me sugam as lágrimas
e dos quais só contemplo o branco sujo
do silêncio dos mapas.
Os caminhos são rotas mais soltas
que os cabelos virginais de uma francesa oitocentista
mas isso não explica porque nos perdemos
quando o queremos fazer.
Se o senseless se tornar
marca de bronze no verão
e eu cantar odes elevadas
ao branco teto do sem sentido
talvez não me coíba assim tanto
de chorar em frente às gaivotas.
Todos devemos ter
de quando em vez
um pingo mais menstruado de contemplação
sobre as nossas testas.
Sem comentários:
Enviar um comentário