sexta-feira, 26 de abril de 2013

Canto X

ontem o dia
teve dias dentro
com passos nus
de pés rentes às pedras
calçada tua ampla e clara
das tuas ruas abertas de abril
como pássaro que simulado
te abençoa o grito de uma gaivota
a ecoar de longe a tua ode doce
de cheiro campestre a cravo
o nome de perfume variegado
que te contém o rosto
humanizado
o dia inteiro
espécime alado
a jogar sombras no teu peito
a ser teu fim enamorado
a cantar-te inteiro
fito destino
de odisseu finalizado
no teu recorte de corpo
a margem por certo que emoldurando
te soube ser sentença de liberdade
isso que nos foi gritando
um canto imenso de saudade
para nos reter nas mãos o pranto
do teu peito divino de cidade
para sempre
aceso o nome
de ti
esse signo
dos teus cabelos de sol na avenida
a dar vento alma sopro de luz
ao tempo que te esperei
vertigem entre as copas das árvores
vertigem de mim
aplacado no teu leito
aplacado no teu peito
vertigem de vida.

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