sábado, 13 de abril de 2013

(libera me)

nó cego
nó torto
na encruzilhada.
nó cosido
ao rosto
descendo
alvo líquido
o pescoço
engolido
nó. sempre
nosso amargo
ungir de nuvens
no passeio
nu
que um sol
negro arrancou
do nervo escondido
nosso maior crer
mais escuro.

passante
o nó do dia
que veio tarde
e trouxe
mãos abertas sem veias
dando cegonhas
desgovernadas sós
pairantes no banho fosco
massa de dança de vento
que levanta
nevoeiro
do teu rosto.

assomo
à terra com
dedos outros
comidos na morbidez
de vísceras mornas
quando cai a tarde
e sei que refractado
o amén
sucumbe inteiro.
vem devagar sem
dar na face a explosão
nem no nervo da medula
o espinho rosado
pouco tempo pouco frio
o espelho cortado
do arrepio.

como me
penetrei
continuamente.
indo e vindo
quando saí
entrei barco naufragado
nau inteira de mim.
e custar-me
o dedo ferido
latejante
que brota desse navio
afago último
do tempo
meu tempo de mim.
e anjo afogado
com limos loiros
sem céu final
escuro
em lágrima na face
que é pedra
ante asa cortada
que é pedra
ante oiro
marchetado
que é pedra
que é lema
azul nesga do rio
que bebeu da insónia
do vento perdido
em sussurro
meu saber de mim.
meu cantar de fim.

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