segunda-feira, 1 de abril de 2013

um outro triste mesmo III

https://www.youtube.com/watch?v=6Ql8TidvZto


o clarear comum da manhã
traz-me à memória essas árvores
que outrora vi
afogadas num rio.

catedrais submersas
de vacuidade.
não lhes sei o cantar
de seiva. hoje nu e distante.

passei sem lhes perguntar
junções de cor na tarde.
se havia afectos e comunhões
entre elas, entre-margens.

passei, como tantos,
sem intenção, sem desígnio,
sem lhes notar cambiantes
de dor convicta e estática.

agora penso que sim,
que o seu tormento era
branco nítido no raiar de tarde
que se solta entre as nuvens.

mais intenso que qualquer grito,
o grito sendo ele a veia
a brotar o violento sumo
de uma embolia retida de sempre.

era o viver de planta
o querer de árvore,
um profundo arrependimento
sem pensamento

sem querer, sem esperar,
sem tecer no longínquo
a carvão o indefinido risco do
latejante caminhar.

tão claramente vi
essa linha de plantas que se escoa
que acordo só, voltado para a parede
sem achar nunca ter adormecido.

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