domingo, 21 de abril de 2013

três tardes de requiem de duarte lobo

1.
Toda a terra
é contínuo traço tremeluzente
querer nosso em planície

A reverberação do espaço
dedos longos finos
sobre a testa

com mais sol de seara
turva no firmamento
é o mare nostrum do apogeu

termo fixo das horas
dilúvio do tempo.
~
2.
Guardaste a tarde
seca entre as páginas
de rosa murcha

e a gaveta desses dias
que foram montes desertos
sob o vento de junho

não a encontro
noutros teus lassos olhos
debruçados súbito ao largo rio.
~
3.
Sou eu que te tenho
aberta a mão de uma aurora
que raia quando escutamos

o nosso nome eterno
húmida catedral que escorre
o requiem a seis

Antes tudo isso tudo
o que te dissera antes
dos dedos semicerrados

cantarem sós
o lento murmúrio aberto
da tarde finda.

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