1.
Toda a terra
é contínuo traço tremeluzente
querer nosso em planície
A reverberação do espaço
dedos longos finos
sobre a testa
com mais sol de seara
turva no firmamento
é o mare nostrum do apogeu
termo fixo das horas
dilúvio do tempo.
~
2.
Guardaste a tarde
seca entre as páginas
de rosa murcha
e a gaveta desses dias
que foram montes desertos
sob o vento de junho
não a encontro
noutros teus lassos olhos
debruçados súbito ao largo rio.
~
3.
Sou eu que te tenho
aberta a mão de uma aurora
que raia quando escutamos
o nosso nome eterno
húmida catedral que escorre
o requiem a seis
Antes tudo isso tudo
o que te dissera antes
dos dedos semicerrados
cantarem sós
o lento murmúrio aberto
da tarde finda.
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