A vida explodia-lhe
por dentro.
Era como a incontrolável
força de um vento ciclónico.
Não havia nada a fazer.
As palavras brotavam-lhe
de uma memória que não era sua.
Achava que as coisas surgiam
no acaso das coincidências puras.
O ocasional, sempre o ocasional.
Temia-se, secretamente.
Tinha um medo
que soava a uma nota longa e profunda,
um traço diluído, permanente na paisagem.
Não sabia quem realmente era.
Nunca chegou a saber.
As coisas são o que são,
dizia.
E tentava esconder
que sabia muito mais do que isso.
Tentava omitir o óbvio:
nem tudo é.
Não era afinal
coisa alguma
com a qual
alguma coisa
pudesse ser comparada.
A imprecisão dos contornos do seu espírito,
a mescla aterradora de cores que lhe pintavam
a face obscura,
a sensação de não se sentir
toque algum diante da sua pele.
As coisas são o que são,
e há coisas que são
coisa nenhuma.
Não mais do que
um raio de sol generoso
a inundar o terraço
do mundo.
Um momento.
20-08-2011
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