inventei-te objecto cadente.
e depois bebeste em azul
as mágoas das flores queimadas
ou fugiste para dentro
quando os teus olhos ganharam
cor de vazio.
inventei-te sublime monstro
com dedos de pérola ao sol
de um solstício morno.
floco que paira ancestral
na carne absurda do ar
sem tempo de queda.
inventei-te olho fixo
luminoso espírito circunspecto
na treva-manto do nosso abraço.
um eco de poço distante
sem sombra de água.
voz sibilada do meu rio.
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