segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Caminhar Permanente V

à conta de nos vermos sós -
essa é a rua deserta onde passos retinem -
à conta de nos vermos sós
calamos.

dentro de mim
vozes
mais altas, mais pujantes,
mais violentas
que eu.

à conta de nos vermos sós,
ouvimos os passos lá fora,
em baixo, junto ao chão.
a rua deserta.

dentro de mim
o arco do candeeiro
rarefeito
em luz branca.

à conta de nos termos sós.
definhamos. perecemos.
o cheiro da madrugada
dentro dos nossos ossos.
esse branco do inverno
em silêncios compassados.
neblina nos nossos olhos.
neblina nos meus olhos.
o fustigar de uma brisa
contra a janela.
o ecoar de um sopro
no vazio.

o luminar triste
desse sol premeditado,
morto.
banha-nos a face
mas não aquece.

à conta de um eterno sentir,
um eterno ressudar.
um eterno definhar.
um eterno entardecer.

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