domingo, 9 de dezembro de 2012

Sei-te

Sei-te
na bruma.
~
Ainda agora
esse murro que me espetaram,
esse ódio que me cuspiram,
ainda agora te vi aí.
~
Estática,
mãos juntas num aperto
de frémito. Rosto de silêncio
ansioso. Olhas-me com o raiar
sanguíneo de uma força
indelével.
~
Esse crepitar sobrenatural
que te assola.
Essa brisa que te ruge nos vestidos
sussurros, mentiras, profecias.
Insufla-te o apocalipse
nas veias do pescoço,
sodoma e gomorra
sob uma chuva de fogo
dentro dos teus lábios
convictamente cerrados.
~
Macabra
a existência.
Macabro este doer profundo
que é não só de ossos que quebram,
de cortes que esguicham,
de sangue que lateja.
Doer profundo
que é ver o teu reflexo
junto a mim.
Saber-te o som da tua voz
muda.
Sondar-te o pensar
de espectro.
~
Com as horas
somos,
um pouco menos.



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