E se partilhássemos
esta insónia estagnada
entre nós?
O rigor soçobrado
de uma madrugada fria
impõem-se. Dentro
desse ar gélido
uma sempre irregular teia
de pensamentos
habita.
Perseguições inoculadas
de uma mente
em perpétuo refluxo.
Não sei se o que oiço,
nesta hora prolongada,
é a angústia existencial
de inebriadas bacantes,
ou o retinir monstruoso
dos vultos outrados de mim.
Um ecoar fantasmagórico
preenche as ruas desertas
do inconsciente.
Esse som de coro,
essa voz de legião,
é um arrepio rasgado na similitude
entre mim e os meus múltiplos.
(Quem pensa verdadeiramente que pensa?
Quem dá ao mundo um novo laivo de incerteza?,
um criar inédito, um cortante novo grito
que dilacere o ruído branco profuso
que nos nasce dos poros
da decadência?)
Não há o novo;
a insónia sempre foi esta
e não outra nova insónia
de redenção.
Os olhos abertos da noite,
que chamam um sono
mais profundo que o sono,
tecem rezas em línguas mortas,
nos dialectos mudos
que só o movimento
milenar dos astros decifra.
É como se pedissem
às coisas
que existem
um tipo de paz perpétua diferente.
É como se puxassem
das almas
alheias adormecidas
os subtis fios dourados que lhes pendem
do imperscrutável sentido do eterno.
...
E depois
disto adormecer finalmente
para o dia.
Após a vigília forçada,
pensar que se sonha
enquanto se caminha,
que se gravita no etéreo esvoaçar onírico
da mente
enquanto se vive.
...
Tenho ante mim o sol
e acredito nele
como numa história mal contada.
Consigo capturar-lhe
os contornos perturbados
do desfasado do meu rosto.
Tudo isto que sou
mente.
07-12-2012
Sem comentários:
Enviar um comentário