que essa veia de aflição escura
que te corre em alvo pescoço
não te cerque e iniba.
não te cerceie os pensamentos vis
de noite.
hábil manejador de espelhos
esse teu reflexo de olhos
contém ínfimas areias de eras
incididas sobre elas mesmas
multiplicadas.
hoje tu, amanhã o velar prolongado
de outro. depois cismas
gigantes como rios dentro de nós.
essa fractura de chão e de terra
lascada no crânio.
o ser uno que se outra
torna-se o ritmo vulgar do contratempo.
é o arrastar do passo no lajedo,
o omnipresente sentido do que existe
dentro.
numa praça deserta, este chapéu
sem chuva guarda duas sombras
desiguais. o morto e o inventado,
vertendo de si o vácuo da duplicação.
e eu qual deles?
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